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Barrados no Braille | |||||||||||||||
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Receita de Lasanha Antes que a água na panela atinja o ponto de fervura, antes que o macarrão esteja ao dente, antes que o molho de tomate grite seu vermelho cheiroso, antes que as fatias de queijo fininhas, repousadas naquela vasilha laranja, venham cobrir a nossa quase lasanha de almoço, queria te contar uma coisa. Não, nada importante, nada que não pudesse esperar, mas eu queria te dizer agora, enquanto as palavras ainda não rebentaram a crosta do pensado, enquanto ainda ninguém escutou o entrechocar das sílabas, lábio contra lábio, depois do exercício da língua, no céu da boca, na quilha dos dentes. Olha, é só o tempo de mergulhar a alface americana no molho de vinagre, e de temperar a proteína de soja com um pouco de shoyo. Sonho? Não. Não foi sonho o que eu disse. Falei de shoyo, que é bom para regar a soja. Mas o que eu queria te dizer não tem a ver com shoyo. Não, nada a ver com o que deu hoje na tv, sobre os pais suspeitos de terem sumido com a filha. O que eu queria te dizer me veio sem aviso, como um recado soprado pelo vento, ou pelo canto do pássaro, naquela jardineira do sexto andar. Não queres saber? Então nem esperas pela lasanha? Pois vou devolver ao vento essas sílabas de nada, arranjo tolo, sujo da terra das palavras: É somente a doçura do teu espírito que se tinge do pólen do jardim. Escrito por Joana às 10h40 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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