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Barrados no Braille | |||||||||||||||
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Saudade Líquida (Pelo aniversário da minha irmã, In Memoriam)
No teu mundo, o que se faz agora? Queria te contar dessa saudade líquida, como suave corredeira de Rio. Queria te alcançar, de algum jeito, queria achar um ponto de intersecção entre os nossos universos, fazer uma conexão contigo, entretanto nesse meu mundo que já foi teu, só tenho essa tarde suada de chuva, com seus cachorros bramindo por liberdade, com suas crianças a brincar, na sua liberdade vigiada. O que se faz no teu mundo, agora? Tens outro aniversário? De algum modo, a lembrança do dia de hoje te visita? Aqui, nesse meu mundo que já foi teu, a tarde mareja os sucos do verão, mesmo assim há um tênue frio, e eu penso na qentura do teu amor, lençol branco a cobrir todos nós. Foi pensando nesse teu amor que indagorinha, num impulso, liguei pra minha filha, que tu adoravas, a tua Lili. Liguei pra ela e lhe disse do meu amor, como um lençol branco, emenda do teu próprio lençol, a cobrir todos nós. No teu mundo, será que podes fugir para um quarto que seja teu, para ligar bem alto o som, para escutares, no dia de hoje, todas as músicas de que gostas? Aqui, no mundo que já foi teu, só tenho essa tarde que se tinge de um por-de-sol tímido, enquanto as crianças correm para o banho de quase noite e a calma dos cachorros é somente uma trégua para as horas de silêncio. No teu mundo, será que há um anteparo para o tempo, uma espécie de ponte de onde tu podes mandar recados, concluir conversas, estender aos outros o lençol branco do teu amor? Aqui, nesse mundo que já foi teu, só tenho essa tarde que se finda e uma saudade pesada de palavras inconclusas, de gestos de abraços incompletos, a rebater no meu coração, como rio de todas as chuvas, sem qualquer anteparo. Escrito por Joana às 17h37 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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