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Barrados no Braille | |||||||||||||||
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Vinte e Um de Março Jovem ainda, deram-lhe aquele homem como preso político para vigiar. Vigiou-lhe as vinte e nove facadas no abdômen, viu ali a escrita macabra de uma poesia sem tréguas, enferrujada e suja, e deiixou-se evadir para o rio da infância, ali onde já era poeta, ali onde enquanto adivinhava buthjiás maduros caídos ao chão, encontrava os olhos do pai, na profundidade verde daquelas águas. Acordou de madrugada, sob os gritos da tropa, para aprender sobre emboscada, campos minados, buracos escuros onde não se podia respirar, e mesmo ali, bebeu até a última gota sua hoverdose de sensibilidade, escrevendo poemas em velhas folhas, na pele das mãos, na planta dos pés, guardando-se em silêncios duros, crivados de poesia. Entregou a mochila e as armas, correu para casa e leu para o rio a poesia de Maiakovski, como uma espécie de brado, “Nós polimos a alma com a licha do verso”. Desde então, desde sempre, descarna sua alma para compreender-lhe as sílabas, “...nenhuma vingança dentro de si,” Amadurece a esgrimir com as palavras. Descarna-lhes todas as sílabas, somente para deitar cá para fora um sopro de poesia. Madrugada. Na casa adormecida, o poeta vive. “e assim fui engolindo o tempo
bebendo as vinhas do esquecimento
minhas mentiras íntimas doces folias de momento
(a vida eu mesmo invento)”. (Poema de Lau Siqueira) Escrito por Joana às 08h39 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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