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Barrados no Braille | |||||||||||||||
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Correndo a Catorze Hertzs O tempo não Para, tinha dito Cazuza na década de oitenta. O tempo não para. A vida escorrega pelos dias,e, segundo a hipótese da ressonância Schuman, abandonou seus 7,83 pulsações por segundo para a desabalada carreira dos 13 pulsações por segundo. É assim que pulsa a terra, desabaladamente. É assim que pulsa o nosso cérebro, e o nosso coração. Assim pulsam as galáxias, na sua corrida incessante em busca de distância. Minha casa também corre a 13 pulsações por segundo, e por mais que eu tente desinventar os dias, por mais que eu tente escalar o topo do redemoinho, para equilibrar-me em algum ponteiro da vida, para contemplar uma flor, um sorriso, a doçura ou o ácido da tua voz, não há como. Os instantes se estilhaçam, vibram a 13 pulsações por segundo, pulsam o tempo ínfimo de uma nota musical, na melodia alegre de Schubert, e viram passado. Brinco de cabra-cega com as palavras que deixastes soltas pela casa, no teu abandono de estares aqui. Correr assim, enquanto o mundo me empurra a 13 pulsações por segundo, é como descorrer, sentindo essa pressão esquisita na boca do estômago,sentindo esse deslizar esquisito dos pés que não conseguem acompanhar a corrida vertiginosa. E por força da fantasia, corro atrás dos dias que se foram, e procuro a acidez do umbu por entre os teus lábios, que na corrida a 13pulsações por segundo, , deixam cair o sumo da fruta sobre a minha blusa branca. A vida corre a 14 pulsações por segundo agora. Vejo tuas mãos, a meio palmo das minhas, palmas abertas, dedos estendidos, prenúncio da carícia que não se fará. Escrito por Joana às 13h33 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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