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Vitória Chegou

Em homenagem à minha sobrinha, nascida na noite do dia 29 de abril

 

Fim de noite, quase madrugada, e Vitória chegou. Espreitou o mundo, assombrou-se com a luz e semi-cerrou seus pequenos olhos. E milagrosamente viu toda sua pequena grande história condensada, como num mini dv, desdobrar-se, em grãos microscópicos de nano-segundos.

Deliciou-se com os primeiros gestos que a fizeram ser. Mãos entrelaçadas, bocas em sorrisos e beijos. Na sua linguagem universal, sem sílabas nem dentes, Vitória enunciou as primeiras falas do seu nascimento. Sou fruto de beijos e açúcares, mas sinto tanto sono!

Adormeceu no pequeno pedaço de mundo que ainda não reconhecera como seu, pequena côdea branca de espaço, fofa e cheirante.

Foi buscar seus sonhos. Foi buscar a ilha onde sempre vivera, braço de mar onde nadava e dormia, em todos  os minutos dos dias em que estava ocupada em crescer.

Quando acordou, primeiro sentiu falta da sua ilha. Depois sentiu outra coisa esquisita, e como não tinha ainda palavras para aquilo, pediu socorro ao mantra de chorar.

- é fome, vaticinou mamãe. E sem o saber, Vitória realizou pela bilionésima vez, o antigo brinde à vida, num sorvo ao mesmo tempo cuidadoso  e forte. Reconheceu seus açúcares, sentiu na derme aquele carinho gostoso que ainda não sabe decifrar, e mandou para sua ilha o cabograma da sua primeira lição de vida: Estou aprendendo a sorrir.



Escrito por Joana às 09h27
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