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Barrados no Braille | |||||||||||||||
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Corrida de Táxi Br 101, manhã de sábado, molhada de chuva. A rodovia, como uma negra cauda esticada, nosso táxi a correr, feito um bicho, a brisa vindo de todo lado, a desconstruir a noção de ordem, de lugar, de espaço. E eu, parada dentro do carro que me viaja, afadigo minhas células com o velho ofício de pensar. Sim, penso no espaço e no tempo dendro do espaço. A brisa, a chuva, o tempo, o carro, dentro do espaço. Eu dentro do carro, pensando nas acontecências do tempo, durando apenas no espaço dessa estrada. Br 101, eu dentro do carro, e, dentro de mim, minhas lembranças, feito velhas tias solteironas em povoado desabitado, inventando telegramas que somente elas lêem, baralhando curvas, datas e horas, embarafustando palavras inconclusas, no meio de frases lapidares. Descida de Goiana, com seu ramalhete de curvas fechadas, promessa de morte, desacelerando, nunca faça uma ultrapassagem aqui, me diz o motorista, as palavras caindo no côncavo da ilha das lembranças, feito passageiras em fim de viagem, transidas de chuva. Dentro do espaço, a chuva dura somente o tempo da nuvem fazer-se em água e derramar-se toda. Dentro do espaço, a cauda da estrada estria-se emcurvas, bifurcações, paradas para espreitar o tempo do sinal abrir. Vamos chegar. Dentro do espaço, a casa se fará novamente lar, no átimo de segundo em que eu girar a chave na fechadura. Dentro do espaço da casa, vivo o tempo presente. Minhas lembranças, em seu povoado desabitado, são agora telegramas selados, até a próxima viagem. Escrito por Joana às 14h55 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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