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Escritura Amorosa

Enquanto no fundo do mar, sobre os dentes eriçados de montanhas banhadas de sal e de limo, um mundo insuspeito de sonhos se despedaça; enquanto os aviões desenham suas rotas sob a turbulenta engrenagem de gelo e vento; enquanto a manhã de sábado ensaia suas múltiplas vontades; escrevo essa carta de amor, sem destinatário, percutindo no teclado, bits que sulcarão as telas, invisíveis como o silêncio dentro de mim, povoado por palavras.

Uma carta tola, como as tolas cartas dos apaixonados Drumonianos;uma carta sem destinatário preciso, remetida da minha pequena ilha solitária, onde persigo “sombras de Antepassados Esquecidos”.

Com os meus dedos úmidos de orvalho, escrevo na areia essa carta de amor para esse senhor que me visitará pelo fim da tarde, e terá restos de plantas na camisa e nos cabelos, e terá a voz rouca pelo cansaço da lida no mar, e teráa paciência para contemplar o meu sorriso,para limpar a sujidade da areia das minhas mãos e beijar com calma o frio dos meus dedos.

Escrevo para esse senhor que me visitará à noite, e, sentado comigo no sofá da sala, emparelhará a sua respiração com a minha e faremos juntos a escuta dos grilos, enquanto alua minguante fará a terra estremecer de frio.

Escrevo para esse senhor que me visitará de madrugada, e com voz de sono, a fazer duo com minha voz de sono, avaliará os planos para o dia seguinte.

Escrevo para esse senhor de quem sequer sei o nome, mas com quem já briguei, para pedir desculpas, para voltarmos dez e mais dez passos, e entrarmos de novo na nossa ilha,e nos permitirmos as carícias do mar, e nos entregarmos aos eternos gritos sem palavras da nossa paixão.  

  Escrevo para esse senhor, para quem prepararei o chá todos os dias,e a quem as vezes direi coisas terríveis,sob a música de fundo da tempestade a bater as portas; escrevo para esse senhor, a quem depois, sob a voracidade da chuva de junho, pedirei desculpas    

Escrevo para esse senhor, que chega apressado, empilha minhas roupas junto das suas, na mochila grande e me leva consigo para a aventura de estar no mundo.

Escrevo para esse senhor que deixou para trás todas as minhas cartas, espalhadas ao vento, e cuja sombra vejo agora, confundir-se com a sombra das árvores, lá longe.



Escrito por Joana às 09h55
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