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Barrados no Braille | |||||||||||||||
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Todas as Ilhas Foi assim, com o sol ainda alto no mar, que aportamos em Fortaleza.Mas não era propriamente em Fortaleza que estávamos. Numa pequena faixa litorânea incrustada de hotéis e pousadas, plantamos nossa geografia particular, planeta Dosvox,feito de retas e curvas, quiosques onde repousar e marejar o calor com cerveja gelada, (quase não havia bohemia ali).
Mas boemia, houve muita.Vagabundos de quarta-feira, noite anunciada no “Água na Boca”,vadios de quinta-feira, a arquitetar, na praia do Futuro, suas ilhas imaginárias. A das curvas profundas, a dos desejos ardentes, e aquela distante ilha dos desejos desencontrados, ali, onde o mais improvável caso de amor pode realizar-se plenamente. Você toca, eu canto. Você toca e canta e até o mar se cala para experimentar o ácido de fruto de vez que tem a sua voz. E adivinho o tom de tristeza nos olhos daquele menino que sorri. E vejo, na escutura esbelta daquela mulher, a força do desejo que não se cumprirá. E os sonhos, pousados nos olhos fechados daquele homem, são como asas de pássaro, conduzimdo-o a mundos de poesia perene onde ele espera sua pequena deusa. E na barraca do Joca, tsunami de gente a despejar música e riso por toda aquela faixa de praia,do cimo da noite, eu cantei um dia branco, e prometi sol, e quando o sábado veio,esquecidos do tempo de fazer as malas, arrumar os barcos, levantar âncoras, inventamos todo um planeta novo, pavimentado por risos e músicas, e, em nosso cavalo alado, todo branco, revisitamos todas as ilhas, para em cada uma ecoar o brado da nossa liberdade. E dormimos o estranho sono da despedida, e desatamos nossas mãos, uma por uma, feito conchas marinhas cheias de saudade, enquanto do fundo do mar,nossas ilhas se guardavam, no repouso eterno da espera de outros sonhos, outra quilha de vento a esfarelar, em alguma praia futura, a invenção dos nossos risos, roucos de alegria. Escrito por Joana às 20h39 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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