Barrados no Braille


O Ultimo Dia



Visto-me desse resto de dia. Enfronho-me nas suas poucas horas. Perfumo meus cabelos com o hálito da noite. Calço-me das velhas sandálias da rotina, desse dia ultimo, com suas flores, seu almoço de arroz branco, sua azáfama cozinheira, seus fogos de artifício. Desde o princípio da minha vida, sempre foi assim, com o tempo a me emprestar seus lenços de meio dia, o enxoval completo do anoitecer, o desnudar orvalhado da manhã. Sou essa mistura de cores, cheiros, sorrisos e lágrimas de todos os dias da minha vida. E quando o novo ano bate à porta do tempo, com seu traje de gala, ancoro-me ao último dia que me vestiu, dessa alegria, dessa vontade de prece ao anoitecer, desse espolcar de champanhe, no fio da última hora. E o meu ano novo se reconhece e se recomeça nesse lugar, em que os dias principiam, à sombra de outros dias. Os anos chegam, à sombra de outros anos. A vida germina, ao calor de mãos que se aproximam.



Escrito por Joana às 20h36
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