Barrados no Braille


O Sol Vermelho Está Dentro



Eis pois o meu primeiro post escrito a essa hora da manhã. Vigiar o sono que decidiu sair de casa, sem dinheiro no bolso, sem qualquer documento, nem bilhete de volta. Partejar as horas, espremer do silêncio a novidade de palavra alguma, enviar pensamentos a espreitarem um naco de rua, onde habita a calma, para vê-los regressar, trementes do medo do que acontece e não se sabe, noite coberta pelo lixo tisnado de sangue, ninho de ínfimas bactérias a premeditarem suas minimalistas formas de morte.

E pensamentos outros vão buscar, da cozinha da infância, o copo-de-leite abrindo-se para a madrugada, a bafejar a beirada do muro com seu perfume doce.E do romance, me vem o seio da mãe, dentes úmidos de infância a sugar-lhe o néctar da vida. E de outro romance, outro seio exangue, ela tão jovem ainda, desfalcada pela miséria, a alimemntar a fome de um velho quase à morte, no barracão desmantelado.

Não é de medo esse tremor das minhas mãos, nem esse tênue suor frio. É de certeza. Certeza de que o sono se perdeu dentro de um mundo ensombrado, à procura de uma cova qualquer onde mergulhar, enquanto em mim, é toda vermelha a fogueira das lágrimas que não choro.



Escrito por Joana às 04h47
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