Barrados no Braille


Leituras de Férias



Quem terá dito que a leitura de um livro sempre nos permitirá trazer à tona nossas próprias experiências?

Hoje pensei sobre isso enquanto acabava a leitura de “Um Certo Verão na Sicília”, um dos romances que separei para essas férias, por indicaçãoda querida amiga Edith Suli.

E pensei mais. Pensei em como é bom trazer para fora recordações, sentimentos, sensações, lembranças, molhos de lembranças,para experimentá-las sob nova luz, a luz da poética literária, ainda que muitas vezes os cenários sejam de penumbra, de neblina madrugadeira, ou de sol a nascer, no cume de uma  montanha gelada.

O romance de Marlena de Blasi, tecido com extrema delicadeza, sustentado pela poderosa beleza dos lugares escolhidos, regado à vinho e receitas ao mesmo tempo exóticas e saborosas, funcionou pra mim como uma espécie de serão, uma suave conversa à beira do fogo,um ameno falar sobre amor, , morte, luta, conflito, desigualdade, tudo posto, como num coquetel maturado na incongruência, misturando vida, em todas as suas essências.

Destaquei uma frase do livro de Marlena de Blasi, uma simples frase, talvez nem tão bem urdida assim, mas que me fez sentir vontade de largar o livro, fazer uma marcação, abstrair=me dos ruídos da rua, tentar revolver, no solo onde devo tê-los plantado, alguns dos meus sonhos.

Ela escreveu: Talvez os sonhos sejam tudo o que a gente possui. Tentar vivê-los talvez seja jogá-los contra

as pedras". Será que você gostará desta frase tanto quanto eu gostei? Atirar sonhos contra aspedras, pequenas e grandes pedras. As da inércia, as rugosas pedras do medo,as graníticas pedras da indiferença,os penhascos, sobretudo os penhascos, ali onde os sonhos ficam soterrados, extraviados, camuflados por insondáveis arbustos de esquecimento...   

No romance de Marlena, cada sonho atirado sobre as pedras, move-se, rola, arrasta-se, corre, até encontrar o seu lugar. Uma fórmula singular, para o velho exercício de contar histórias e trazer para as nossas próprias experiências,a poética sussurrada, sugerida,insinuada, como uma espécie de segredo, à beira do fogo, desvanecido logo ao amanhecer.

Um romance, com começo meio e fim. Uma boa história para se ler nas férias, para alimentar conversas amenas, com amigas queridas como Edith Suli, Glaucia Lima,

Valéria Rezende...

 

: Um Certo Verão na Sicília

Marlena de Blasi

 

Editora Objetiva, 2009.  

 



Escrito por Joana às 17h00
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